Avanço do mar e erosão nas praias de Caraguatatuba são discutidos em estudo da USP

Variedades15/10/2026 08h42
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O avanço do mar, a erosão das praias e os impactos das mudanças climáticas sobre o litoral de Caraguatatuba estão no centro de uma discussão que envolve pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), ambientalistas e representantes da administração municipal. O objetivo é buscar alternativas para proteger a faixa costeira e planejar o desenvolvimento urbano diante das transformações ambientais observadas nas últimas décadas.

O assunto foi discutido durante uma reunião realizada no dia 8 de outubro, no Gabinete do Prefeito, quando representantes do Instituto Oceanográfico da USP e da Associação Caraguatás Ambiental (ACA) apresentaram estudos sobre a dinâmica costeira do município.

Entre os pontos abordados estão as alterações na paisagem das praias de Caraguatatuba ao longo dos últimos 20 anos, provocadas pela ação do mar, além dos efeitos da ocupação urbana e das mudanças climáticas.

A preocupação envolve não apenas a preservação ambiental, mas também os possíveis reflexos sobre a infraestrutura urbana, os espaços públicos e as áreas próximas à orla.

USP propõe centro de pesquisas para enfrentar problemas costeiros

Uma das iniciativas apresentadas durante o encontro foi a proposta de criação do Centro para Soluções Costeiras, projeto desenvolvido pelo Instituto Oceanográfico da USP que busca aproximar o conhecimento científico das necessidades dos municípios litorâneos.

A proposta está sendo estruturada para obter financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), por meio do programa Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID).

A intenção é reunir pesquisadores e instituições para desenvolver estudos e soluções voltadas à erosão costeira, à poluição marinha e aos impactos da urbanização sobre os ecossistemas litorâneos.

Uma das principais diretrizes é priorizar soluções baseadas na natureza, que buscam recuperar ou fortalecer os processos naturais de proteção da costa, reduzindo a necessidade de intervenções artificiais.

O diretor do Instituto Oceanográfico da USP e especialista em dinâmica costeira, Eduardo Siegle, explicou que a proposta é transformar o conhecimento produzido pelas universidades em ferramentas práticas para os municípios.

“São impactos de diversas naturezas, como erosão costeira, poluição, entre outras questões. A proposta é induzir a reconstrução do ambiente naturalmente. A gente tem o apoio de várias instituições e universidades, mas contamos com o apoio dos municípios, que serão os usuários finais dos trabalhos desenvolvidos pelo Centro para Soluções Costeiras”, afirmou.

Mudanças nas praias exigem planejamento de longo prazo

A erosão costeira é um processo que ocorre quando há perda de sedimentos, como areia, em determinados trechos do litoral. Embora faça parte da dinâmica natural das praias, seus efeitos podem ser agravados por intervenções humanas, alterações no transporte de sedimentos e mudanças nas condições do mar.

Em cidades como Caraguatatuba, onde a ocupação urbana se desenvolveu próxima à faixa litorânea, compreender esses processos é importante para orientar obras públicas, projetos de infraestrutura e políticas de preservação ambiental.

O vice-presidente da Associação Caraguatás Ambiental, Roque Alves Pereira, que também integra o Conselho Consultivo do Parque Estadual Serra do Mar – Núcleo Caraguatatuba, destacou que o novo centro poderá facilitar o acesso dos gestores municipais a pesquisas já realizadas sobre o litoral.

Segundo ele, a proposta é reunir e disponibilizar informações científicas sobre a linha de costa, o comportamento das marés e as transformações ambientais, permitindo que as decisões administrativas sejam fundamentadas em estudos técnicos.

A expectativa é que esse conhecimento contribua para a elaboração de políticas públicas capazes de conciliar a expansão urbana com a preservação dos ecossistemas costeiros.

Prefeitura manifesta apoio à iniciativa

Durante a reunião, o prefeito Mateus Silva manifestou interesse em apoiar o desenvolvimento das pesquisas e destacou a importância de pensar o futuro da cidade a partir de um planejamento ambiental de longo prazo.

“O Centro para Soluções Costeiras será muito bem-vindo para realizar suas atividades de pesquisa e monitoramento costeiro de nossas praias. Precisamos capitanear esses tipos de avanços para projetar a Caraguatatuba que queremos nos próximos 30 anos”, afirmou.

Também participaram do encontro o secretário de Meio Ambiente, Agricultura e Pesca, Auracy Mansano; a secretária adjunta de Urbanismo, Valéria Cardozo; e o secretário adjunto de Serviços Públicos, Wilber Cardozo.

Pesquisa científica pode orientar decisões dos municípios

O Centro para Soluções Costeiras pretende integrar o modelo dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão, programa criado pela FAPESP em 1998 para incentivar pesquisas científicas de longo prazo, formação de pesquisadores e transferência de conhecimento para a sociedade.

Além da produção acadêmica, esses centros desenvolvem atividades de inovação, educação e divulgação científica, aproximando universidades, poder público e população.

No caso de Caraguatatuba, a eventual participação na iniciativa poderá contribuir para ampliar o monitoramento das praias, compreender os processos de erosão e identificar alternativas de adaptação às mudanças ambientais.

A criação do centro ainda depende do avanço da proposta e das etapas relacionadas ao financiamento. Por enquanto, a aproximação entre pesquisadores e gestores municipais representa uma oportunidade para incorporar estudos científicos ao planejamento urbano e ambiental da cidade.

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