Lixo jogado no vaso sanitário e na pia já retirou 26 toneladas por mês da rede de esgoto no Litoral Norte

Meio Ambiente24/09/2026 14h33
whatsapp-image-2026-09-24-at-141135-1.jpeg

Aquilo que é jogado no vaso sanitário, na pia ou nos ralos pode parecer que desaparece depois que segue pela tubulação, mas o destino desses resíduos pode ser bem diferente. No Litoral Norte de São Paulo, a Sabesp retira, em média, 26 toneladas de lixo por mês da rede de esgoto, resultado do descarte inadequado de materiais que não deveriam chegar ao sistema.

A estimativa da companhia é retirar aproximadamente 312 toneladas de resíduos ao longo de 2026. Entre os materiais encontrados estão fraldas, absorventes, preservativos, plásticos, tecidos, cabelos, fio dental, embalagens, restos de alimentos e óleo de cozinha.

Considerando a projeção anual por município, Caraguatatuba deve concentrar cerca de 124 toneladas, seguida por São Sebastião, com 94 toneladas, Ubatuba, com 62 toneladas, e Ilhabela, com aproximadamente 32 toneladas.

O impacto desse comportamento também aparece nos serviços de manutenção. Até agosto deste ano, foram registradas 1.101 ocorrências de entupimento nas tubulações de esgoto. No mesmo período, as equipes retiraram aproximadamente 600 toneladas de lixo e areia durante trabalhos de limpeza, manutenção e desobstrução realizados nas estações de bombeamento.

Resíduos podem fazer o esgoto voltar para dentro de casa

O problema começa quando materiais descartados de maneira incorreta se acumulam no interior das tubulações. Isoladamente, alguns resíduos podem parecer pequenos, mas, ao se juntarem a outros materiais, formam bloqueios que dificultam ou até impedem a passagem do esgoto.

Fraldas, absorventes, tecidos, plásticos e outros produtos descartáveis estão entre os itens que podem provocar esse tipo de obstrução. O resultado pode ser o transbordamento de esgoto nas ruas ou o retorno do material para imóveis.

Em casos mais simples, as equipes conseguem solucionar o problema com equipamentos de sucção e hidrojateamento. Quando o bloqueio é mais grave ou existe dano à tubulação, porém, pode ser necessário abrir o pavimento para acessar e substituir parte da rede.

Além do transtorno para os moradores, esse tipo de intervenção pode afetar o trânsito e exigir obras nas vias públicas.

Óleo de cozinha pode agravar os entupimentos

Um dos resíduos que mais contribuem para problemas na rede é o óleo de cozinha.

Quando despejado na pia, o óleo percorre a tubulação e, ao esfriar, começa a se fixar nas paredes internas dos canos. Com o passar do tempo, a gordura acumulada reduz o espaço disponível para a passagem do esgoto e também facilita a retenção de outros resíduos.

O acúmulo pode aumentar progressivamente até provocar o bloqueio da tubulação.

A recomendação é não jogar óleo usado na pia ou no ralo. Depois de utilizado, o produto pode ser colocado em uma garrafa PET bem fechada e encaminhado para pontos de coleta ou programas de reciclagem existentes na cidade.

Água da chuva também pode sobrecarregar a rede

Outro problema apontado pela Sabesp são as ligações irregulares que direcionam água da chuva para a rede de esgoto.

Calhas, ralos de áreas externas e outros sistemas destinados à drenagem das chuvas não devem ser conectados à tubulação de esgotamento sanitário. As duas estruturas possuem finalidades diferentes.

A rede de esgoto é projetada para receber os efluentes produzidos nos imóveis. Já a água das chuvas deve ser direcionada ao sistema de drenagem urbana.

Durante períodos de chuva intensa, uma quantidade elevada de água entrando irregularmente na rede de esgoto pode provocar sobrecarga e aumentar o risco de transbordamentos.

Quando são identificadas situações desse tipo, a Sabesp comunica o poder público municipal para que sejam adotadas as medidas necessárias.

Problema também chega às estações de tratamento

O descarte incorreto não provoca problemas apenas nas tubulações e estações de bombeamento. Parte desses materiais também pode chegar às Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs).

Antes que o esgoto passe pelas diferentes etapas do tratamento, é necessário retirar resíduos sólidos que não deveriam estar presentes no sistema. Quanto maior a quantidade de materiais descartados irregularmente, maior o esforço necessário para removê-los e manter o funcionamento adequado das estruturas.

A Sabesp realiza ações preventivas de inspeção, limpeza e manutenção para reduzir os impactos dos entupimentos. A companhia, no entanto, reforça que a participação dos moradores é fundamental para evitar que o problema continue se repetindo.

O que pode e o que não pode ser descartado

Na cozinha, a orientação é evitar que óleo, gordura e restos de comida sejam despejados na pia.

No banheiro, o vaso sanitário deve receber apenas aquilo para o qual foi projetado. Fraldas, absorventes, preservativos, cotonetes, fio dental, cabelos, tecidos e outros resíduos devem ser descartados no lixo adequado.

Nas áreas externas dos imóveis, calhas e ralos destinados à água da chuva não devem ser ligados à rede de esgoto.

A orientação também vale para pias e ralos: nenhum tipo de lixo deve ser utilizado como se pudesse ser levado pela tubulação.

Com medidas simples dentro de casa, é possível reduzir o número de entupimentos, evitar o retorno de esgoto para os imóveis, diminuir os transbordamentos nas ruas e reduzir a necessidade de obras para manutenção das redes.

A população também pode comunicar à Sabesp situações de vazamentos ou suspeitas de ligações irregulares, contribuindo para a identificação e correção dos problemas no sistema de esgotamento sanitário.

Mais Notícias

Erro: SQLSTATE[HY000] [2002] Operação não permitida